CRIPTOFUNK 2026

O BAILE DA RETOMADA

MANIFESTO

A Criptofunk é um lugar onde artistas, ativistas e pessoas de diferentes saberes, corpos e práticas se encontram para imaginar futuros e tecnologias comprometidas com a vida comunitária. Aqui as tecnologias digitais se encontram com as tecnologias ancestrais, do corpo e das coletividade, aquelas que sustentam a vida nas periferias das cidades e nas margens da norma social. O que nos interessa são os saberes e as práticas que nos permitem existir, resistir, cuidar e criar diante das desigualdades vivenciadas por influência de gênero, raça, deficiência ou outros marcadores sociais. 

Vivemos um tempo marcado pela conectividade; no entanto, nunca foi tão necessário reconstruir vínculos. A maneira como temos organizado nossas vidas e nossas sociedades influencia e é influenciada pelas tecnologias digitais que construímos hoje: orientadas por lógicas de extração, aceleração, vigilância e controle, que aprofundam desigualdades, violências e processos de individualização e isolamento, e fragilizam espaços coletivos de cuidado, pertencimento e criação.

A internet, que já foi sonhada como um ecossistema diverso e distribuído, foi sendo cercada. Hoje, poucas empresas concentram infraestrutura e poder de decisão. A floresta foi transformada em monocultura.

A Criptofunk nasce como contraponto a essa lógica.

Acreditamos que segurança se constrói em comunidade. Que saúde tem que ser pensada em rede. Que tecnologia sem território não produz futuro.

Por isso acreditamos na força do bonde.

O bonde como rede de apoio, como inteligência coletiva, como espaço de criação e proteção, onde podemos ser quem somos. O bonde que conecta pessoas, ideias, corpos e territórios.

O bonde é capaz de reflorestar. De re-encantar. De retomar o que foi capturado: nossa capacidade de criar, de compartilhar conhecimentos, de habitar a diversidade e acreditar no bem comum. Nossa capacidade de experimentar, errar, acolher o inesperado e deixar florescer formas de existência que ainda não conhecemos. Nossa capacidade de construir tecnologias e decidir coletivamente os futuros que queremos.

Retomar não significa voltar ao passado, mas recuperar espaços de participação, autonomia e imaginação, onde diferentes saberes possam existir e florescer.

Quem desenvolve tecnologia precisa descer para o baile. Quem produz cultura precisa ocupar os espaços de decisão. Quem pesquisa precisa escutar o território. Quem governa precisa reconhecer os saberes produzidos nas periferias.

A Criptofunk é o encontro entre código e cultura, entre criptografia e passinho, entre inteligência artificial e ancestralidade.

É geral junto. É o baile da retomada!

O que queremos fortalecer

  • Tecnologias construídas a partir dos territórios, das comunidades e dos saberes plurais
  • Participação comunitária nas decisões sobre as tecnologias que organizam nossas vidas
  • Redes de cuidado, apoio mútuo e inteligência coletiva
  • Infraestruturas digitais comunitárias, conectividade significativa e pequenos provedores locais
  • Software livre, tecnologias abertas e protocolos que ampliem autonomia e diversidade
  • Experimentação, criatividade e desenvolvimento de tecnologias que acolham o inesperado
  • Educação digital crítica, popular e emancipadora
  • Transparência, participação e auditabilidade dos sistemas algorítmicos
  • Inteligência artificial comprometida com direitos, justiça social e diversidade
  • Criptografia, proteção digital e práticas de segurança como formas de cuidado
  • Tecnologias ancestrais, corporais e coletivas como formas legítimas de conhecimento e inovação
  • Justiça socioambiental e tecnologias comprometidas com o bem-viver
  • Prazer, liberdade, saúde mental comunitária e formas de existência que desafiem a norma

O que recusamos

  • Tecnologias orientadas pela extração de dados e economia da atenção
  • Vigilância, controle e exploração dos nossos dados e nossas vidas digitais
  • Algoritmos opacos e discriminatórios que transformam a diversidade da vida em padrões previsíveis, reproduzem desigualdades e apagam diferenças
  • A transformação de relações humanas em métricas, engajamento e mercadoria
  • A monetização do ódio, da violência e da desinformação
  • A concentração de infraestrutura e poder tecnológico nas mãos de (poucas) empresas
  • A substituição de vínculos comunitários por sistemas automatizados de controle e decisão
  • O colonialismo digital e a imposição de tecnologias desconectadas dos territórios
  • A invisibilização dos conhecimentos periféricos, ancestrais e dissidentes

CHAMADA ABERTA PARA A PROGRAMAÇÃO

No Baile da Retomada, queremos construir junto. Por isso, te convidamos a enviar sua proposta de atividade para a programação. 

Quando?

14 de novembro de 2026; das 11h30 às 13h e das 15h30 às 17h

Onde?

Galpão Bela Maré

Cronograma

Inscrição de atividades

14/09 a 05/10

Triagem de candidaturas

06/10 a 13/10

Divulgação do Resultado

14/10

Conheça nossas trilhas temáticas

TEM SINAL, MAS TEM ACESSO?
CONECTIVIDADE E COMUNIDADES DIGITAIS

Já deixou de fazer um PIX porque a internet do celular não pegava? Ou passa perrengue com um Wifi que não sustenta um jogo online ou uma chamada de vídeo? 

Nesta trilha, queremos conversar sobre o acesso à internet ser mais do que ter ou não um sinal disponível. Estar conectado de verdade passa por um serviço de qualidade, um preço justo, equipamentos adequados e também pelas habilidades e conhecimentos que permitam usar a rede com autonomia, acessar direitos e participar da vida digital.

São bem-vindas iniciativas sobre conectividade significativa, redes comunitárias, pequenos provedores, infraestruturas locais, acesso a serviços públicos digitais, educação e habilidades digitais, formação em dados e outras experiências que ampliem as possibilidades das comunidades ocuparem e construírem a internet.

INTERNET E BEM-ESTAR
COMO REFLORESTAR A REDE?

Internet faz mal ou faz bem? A resposta não é tão simples… Nosso bem-estar digital não depende apenas de como usamos a tecnologia, mas também de como ela é concebida, regulada e vivida coletivamente.

Quais escolhas políticas, econômicas e tecnológicas moldaram a Internet que temos hoje? Como essas escolhas têm afetado nossas vidas e nossa sociedade?

Nesta trilha queremos investigar os efeitos da internet sobre nosso bem-estar, como chegamos até aqui, quais estratégias podemos utilizar para nos proteger e como podemos “reflorestar a Internet”, ou seja, romper com a monocultura das plataformas e abrir caminhos para a diversidade, a experimentação e o inesperado, construir a Internet como um bem comum, um território comunitário onde os bondes possam se encontrar, circular, experimentar e inventar outras formas de estar juntos. 

Vale trazer pesquisas, práticas de cuidado, experiências comunitárias, tecnologias, metodologias e experimentações que nos ajudem a imaginar e construir formas mais saudáveis, diversas e coletivas de estar em rede.

EU SOU ARTIXXXTAAA
EXPERIMENTAÇÕES CULTURAIS E TECNOLOGIAS

Nesta trilha, buscamos reunir experiências que misturem arte, tecnologia e vida comunitária. As experimentações podem explorar audiovisual, música, código, gambiarra, projeção, corpo, dança, performance, jogos, tecnologias ancestrais, inteligência artificial ou aquilo que ainda nem sabemos como chamar.

A ideia é pensar tecnologia para além da ferramenta, mas como linguagem, suporte, espaço de encontro e possibilidade de criação. Queremos conhecer práticas que envolvam várias pessoas no processo de fazer, imaginar ou experimentar uma obra ou um processo, como também intervenções projetadas para experiências coletivas que ocupem ruas, redes, bailes, territórios e outros espaços comuns.

Se sua proposta experimenta novas formas de criar junto, mistura tecnologias digitais, corporais ou ancestrais, provoca encontros ou inventa outros jeitos de produzir e fruir arte, brota nesse bonde. Essa chamada é pra você!

Critérios de avaliação

  • Conformidade com as temáticas descritas acima;
  • Diversidade (mulheres, pessoas negras e indígenas, movimentos de favela, pessoas LGBTI+, pessoas com deficiência);
  • Atualidade da proposta;
  • Uso de metodologias participativas;
  • Público-alvo mencionado para a oficina.

 

Não serão aceitas propostas de atividades de merchandising, publicidade de produtos ou projetos.

Ajuda de custo para a realização das atividades

Disponibilizaremos a quantia de R$500,00 por atividade aprovada. Em caso de seções propostas por mais de uma pessoa, a quantia terá de ser dividida entre as pessoas proponentes.

Estimativa de participantes para as oficinas

Serão disponibilizadas 20 a 30 vagas para cada oficina.

Formulário

Para propor uma atividade, responda o formulário neste link. Serão consideradas SOMENTE as propostas enviadas até às 23h59h (horário de Brasília) do dia 05 de outubro de 2026, com as respostas completas.

Política de privacidade

Os dados fornecidos nesta chamada serão utilizados exclusivamente para a seleção de atividades da Criptofunk 2026. Assim que encerrada, os dados serão eliminados.

Políticas de conduta

A Criptofunk pretende ser um espaço seguro para ativistas, mulheres cis, pessoas trans, oriundas de favelas periferias, negras, LGBTI+, pessoas com deficiência, corpos dissidentes e grupos historicamente desumanizados.

Não serão aceitas em hipótese alguma práticas discriminatórias relacionadas a gênero, orientação sexual ou aparência física.